Laboratorio de psicologia

Postado por : Maria José G2

terça-feira, 10 de agosto de 2010

AFETIVIDADE E PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM: CONTRIBUIÇÕES DE HENRI WALLON

UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA
HISTÓRIA – EAD
DISCIPLINA: PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO
PROFESSORA:
TUTORA PRESENCIAL: Ana Catarina
DISCENTES: Cláudia Santos Braga, Ermenísia Nogueira, Joelma Corrêia, Iara Regina Porto e Maria Aparecida Vasco


AFETIVIDADE E PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM: CONTRIBUIÇÕES DE HENRI WALLON




Os conceitos priorizados, decorrentes da teoria de desenvolvimento de Henri Wallon, serão:
Processo de integração em dois sentidos:
- integração organismo-meio
- integração dos conjuntos funcionais
Concepção de afetividade:
- emoções
- sentimentos
- paixão
Evolução da afetividade:
- o papel da afetividade nos diferentes estágios

A posição de Wallon a respeito da importância da afetividade para o desenvolvimento da criança é bem definida. Em sua opinião, ela tem papel imprescindível no processo de desenvolvimento da personalidade e este, por sua vez, se constitui sob a alternância dos domínios funcionais.

Para Henri Wallon, a afetividade no processo ensino-aprendizagem decorre de várias razões:
Sua teoria psicogenética dá uma importante contribuição para a compreensão do processo de desenvolvimento e também contribuições para o processo ensino-aprendizagem. Dá subsídios para compreender o aluno e o professor, e a interação entre eles.
Ao focalizar o meio como um dos conceitos fundamentais da teoria, coloca a questão do desenvolvimento no contexto no qual está inserido, e a escola como um dos meios fundamentais para o desenvolvimento do aluno e do professor.
Estabelece uma relação fecunda entre Psicologia e Educação da Criança.


A TEORIA DE DESENVOLVIMENTO DE HENRI WALLON


Os conceitos, princípios e direções expressos na teoria de desenvolvimento de Henri Wallon são instrumentos que auxiliam na compreensão do processo de constituição da pessoa, que amplia a compreensão do professor sobre as possibilidades do aluno no processo ensino-aprendizagem e fornece elementos para uma reflexão de como o ensino pode criar intencionalmente condições para favorecer esse processo, proporcionando a aprendizagem de novos comportamentos, novas idéias e novos valores.

Assim, na teoria psicogenética de Wallon, o eixo principal no processo de desenvolvimento é a interação, em dois sentidos:
Integração organismo- meio: o desenvolvimento da pessoa se dá a partir da interação do potencial genético, típico da espécie, e uma grande variedade de fatores ambientais;
Integração afetiva-cognitiva-motora: as etapas que a criança percorre serão, portanto, os da afetividade, do ato motor, do conhecimento e da pessoa.

Nesse sentido, para Henri Wallon, a afetividade deve ser distinguida de suas manifestações, diferenciando-se do sentimento, da paixão, da emoção. Em outras palavras, afetividade é o termo utilizado para identificar um domínio funcional abrangente e, nesse domínio funcional, aparecem diferentes manifestações: desde as primeiras, basicamente orgânicas, até as diferenciadas como as emoções, os sentimentos e as paixões.

O seu desenvolvimento depende da ação de dois fatores: o orgânico e o social. Entre esses dois fatores existe uma relação estreita tanto que as condições medíocres de um podem ser superadas pelas condições mais favoráveis do outro. Essa relação recíproca impede qualquer tipo de determinismo no desenvolvimento humano, tanto que “a constituição biológica da criança ao nascer não será a lei única do seu futuro destino. Os seus efeitos podem ser amplamente transformados pelas circunstâncias sociais da sua existência, onde a escolha individual não está ausente”(Wallon, 1959, p. 288). Ao longo do desenvolvimento do indivíduo, esses fatores em suas interações recíprocas modificam tanto as fontes de onde procedem as manifestações afetivas quanto as suas formas de expressão. A afetividade que inicialmente é determinada basicamente pelo fator orgânico passa a ser fortemente influenciada pela ação do meio social. Tanto que Wallon defende uma evolução progressiva da afetividade, cujas manifestações vão se distanciando da base orgânica, tornando-se cada vez mais relacionadas ao social – e isso é visto tanto em 1941, quando ele fez referência à afetividade moral, quanto em suas teorias do desenvolvimento e das emoções, que permitiram evidenciar o social como origem da afetividade.

Enquanto as primitivas manifestações de tonalidade afetiva são reações generalizadas, mal diferenciadas, as emoções, por sua vez, constituem-se em reações instantâneas e efêmeras que se diferenciam em alegria, tristeza, cólera e medo. Já o sentimento e a paixão são manifestações afetivas em que a representação torna-se reguladora ou estimuladora da atividade psíquica. Ambos são estados subjetivos mais duradouros e têm sua origem nas relações com o outro, mas ambos não se confundem entre si.

A afetividade, com esse sentido abrangente, está sempre relacionada aos estados de bem-estar e mal-estar do indivíduo. Assim, podemos afirmar a existência de manifestações afetivas anteriores ao aparecimento das emoções. As primeiras expressões de sofrimento e de prazer que a criança experimenta com a fome ou a saciedade são, do nosso ponto de vista, manifestações com tonalidades afetivas primitivas. Estas manifestações, ainda em estágio primitivo, têm por fundamento o tônus, o qual mantém uma relação estreita com a afetividade durante o processo de desenvolvimento humano, pois o tônus é a base de onde sucedem as reações afetivas.




O PAPEL DA AFETIVIDADE NOS DIFERENTES ESTÁGIOS

Para Wallon a dimensão corporal do desenvolvimento que vai do nascimento até a morte está distribuída em estágios que expressam características da espécie e cujo conteúdo será histórica e culturalmente.

Cada estágio, na teoria de Wallon, é considerado como um sistema completo em si, isto é, a sua configuração e o seu funcionamento revelam a presença de todos os componentes que constituem a pessoa.
Primeiro Estágio – IMPULSIVO-EMOCIONAL - (0 a 1 ano) – O processo ensino-aprendizagem exige respostas corporais, contatos epidérmicos. Através dessa fusão, a criança participa intensamente do ambiente. Iniciando um processo de diferenciação com a ajuda de um adulto;
Segundo Estágio – SENSÓRIO-MOTOR E PROJETIVO - (1 a 3 anos) – O processo ensino-aprendizagem no lado afetivo se revela pela disposição do professor de oferecer diversidade de situações, espaço, para que todos os alunos possam participar igualmente e pela sua disposição de responder às constantes e insistentes indagações na busca de conhecer o mundo exterior, e assim facilitar para o aluno a sua diferenciação em relação aos objetos.
Terceiro Estágio – PERSONALISMO - (3 a 6 anos) - Neste estágio o tipo de afetividade que facilita a aprendizagem comporta oportunidades variadas de convivência com outras crianças de idades diferentes e aceitação dos comportamentos de negação, lembrando que são recursos de desenvolvimento.
Quarto Estágio – CATEGORIAL – (6 a 11 anos) - a organização do mundo em categorias bem definidas possibilita também uma compreensão mais nítida de si mesma, neste sentido a aprendizagem se faz predominantemente pela descoberta de diferenças e semelhanças entre objetos, imagens e idéias. O predomínio é da razão.
Outro ponto importante é saber e aceitar que todo conhecimento novo, não familiar implica, na sua aprendizagem,um período de imperícia, resultante do sincretismo inicial. À medida que ele evolui, a imperícia é substituída pela competência.
· Quinto Estágio – PUBERADE E ADOLESCENCIA – (11 ANOS EM DIANTE) – O processo ensino-aprendizagem facilitador do ponto de vista afetivo é aquele que permite a expressão e discussão dessas diferenças e que elas sejam levadas em consideração, desde que respeitados os limites que garantam relações solidárias.

Não esquecer que em todos os estágios a forma de a afetividade facilitadora se expressar no processo ensino-aprendizagem exige a existência, a colocação de limites. Limites que facilitam o processo ensino-aprendizagem, garantindo o bem estar de todos os envolvidos, são também uma expressão de afetividade.


3 comentários:

  1. Colegas,

    Afetividade, inteligência juntamente com
    a motricidade constituem um conjunto inseparável na evolução do psiquismo da criança,pois ambas têm funções bastante definidas e quando se integram, permitem à criança o alcance de níveis de pensamento cada vez mais elevados e a constituição da sua pessoa, que expressa a sua forma de ser única no mundo.
    Na escola, um bom ajustamento afetivo se torna condição necessária ao pleno desenvolvimento do aluno. Para que esta se torne um ambiente favorável à aprendizagem do aluno, precisa estar organizada para propiciar uma educação que favoreça o crescimento do aluno como pessoa completa, ou seja, pessoa que pensa, sente e movimenta.
    O professor portanto, tem uma função primordial na consolidação de uma relação ensino-aprendizagem saudável, que é a de observar atentamente suas escolhas e suas tomadas de decisões no decorrer de sua ação docente. Disto dependerá a construção de uma relação entre afetividade e inteligência que consolide ou não nos alunos subjetividades bem sucedidas ou fracassadas.

    Cristiani Negrão Gallois

    ResponderExcluir
  2. Interessante publicação!! A afetividade, segundo Wallon a explica, mostra sua relevância em diversos aspectos da vida do ser humano. Uma das importantes discussões é a relação entre afetividade e aprendizagem. Este foi o tema de uma pesquisa por mim desenvolvida, junto ao Prof. Dr. Sérgio Leite, da Faculdade de Educação da UNICAMP. Deixo aqui o link para o artigo publicado: http://periodicos.puc-campinas.edu.br/seer/index.php/reveducacao/article/view/2852/1954

    Caso interesse, mantenho também um blog sobre educação e tecnologias digitais: http://tecsedu.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  3. Shalom! Parabéns pelo excelente trabalho.

    ResponderExcluir