Laboratorio de psicologia

Postado por : Maria José G2

sábado, 31 de julho de 2010

Concepções Cognitivistas: Piaget X Vygotski



Um dos paradigmas que tiveram grande influência sobre a área de educação é a cognitivista, especialmente de autores como Jean Piaget e Vygotski. Piaget começou sua carreira trabalhando com dois psicólogos franceses, Binet e Simon, criadores do famoso teste de QI. Analisando as respostas erradas das crianças, ele percebeu que essas respostas eram consideradas erradas por serem analisadas na visão do adulto. Na verdade, essas respostas seguiam uma lógica própria característica de cada idade.

O ponto chave da teoria de Piaget é a noção de equilíbrio (chamada de homeostase pela cibernética) segundo a qual todos os organismos, seja eles uma borboleta ou uma criança procura manter um estado de equilíbrio com seu ambiente. A construção do conhecimento ocorre quando ações físicas e mentais sobre o objeto provocam desequilíbrio, que resulta em assimilação ou acomodação. Na assimilação, a realidade do mundo é assimilada às estruturas cognitivas existentes, na acomodação, a estrutura cognitiva é modificada em decorrência das experiências.

Segundo Piaget, a pessoa passa por fases de desenvolvimento que refletem as fases pelas quais passou a própria humanidade. As fases não são diretamente ligadas a uma idade.

Na fase sensório-motora, a criança baseia-se exclusivamente nas percepções sensoriais e nos esquemas motores para resolver problemas que são essencialmente práticos: bater palminhas, bater em uma bola, etc. Presa ao aqui e agora a criança não tem capacidade de representar eventos, evocar o passado ou se referir ao futuro. Se ela está brincando com uma bola e a bola cai debaixo do armário, ela deixa de existir.

Já na fase pré-operatória a criança começa a trabalhar com símbolos e representações. Ela compreende que a palavra PAPAI se refere a uma pessoa específica e que essa palavra substituí a pessoa real. É uma fase egocêntrica, em que a criança só consegue analisar fenômenos tomando a si mesma como referência.

Na etapa do operatório formal, geralmente inicia na adolescência, a pessoa já é capaz de trabalhar com o pensamento puramente abstrato e utiliza a lógica dedutiva, parte-se do todo para a parte.

Na teoria de Piaget, a função da educação é ajudar nesse processo cognitivo. Ao professor, cabe oferecer problemas aos alunos, sem ensinar-lhe soluções. Seu papel, essencialmente, é de um orientador. As fases do desenvolvimento do aluno devem ser respeitadas. Não se pode querer, por exemplo que uma criança de cinco anos seja capaz de trabalhar como pensamento hipotético-dedutivo. Piaget não desenvolveu uma teoria da aprendizagem, mas sua teoria epistemológica de como, quando e por que o conhecimento se constrói obteve grande repercussão na área educacional.

Vygotski discordou de Piaget ao afirmar que a influência do meio era maior que fatores individuais. Para ele, a criança já nasce num meio social e, desde o nascimento, vai formando sua visão de mundo influenciada pela interação com adultos e crianças mais velhas. Segundo ele, é impossível estabelecer etapas cognitivas que sejam válidas para todas as sociedades. Assim, variando o ambiente social, o desenvolvimento da criança também sofrerá variação. Cada sociedade fornece aos seus integrantes instrumentos físicos e culturais, desenvolvidos pelas geraçoes anteriores que vão orientar o desenvolvimento cognitivo.

Pensamento e linguagem são diretamente relacionados. Ao descobrir que todos os objetos têm nomes, a criança verá um objeto desconhecido como algo a ser nomeado e para resolver o problema recorre aos mais velhos. Assim, o processo de desenvolvimento do indivíduo possui dois níveis. Um real, corresponde ao que ele pode fazer sozinho, com os conhecimentos já formados. O outro, potencial, refere-se a possibilidade de aprender com indivíduos mais experientes. Para Vygotski, o aprendizado é o processo de desenvolvimento interno que só ocorre através da interação do indivíduo com o ambiente social no qual vive.

Sabe-se que no processo educacional, normalmente privilegia-se uma ou outra abordagem/teoria ou proposta pedagógica que estão implícitas nos programas de ensino. Entretanto, dentre as várias correntes disponíveis, deve-se evitar os reducionismos das mesmas e estar aberto a novas contribuições, uma vez que a realidade educacional é complexa e multidimensional.

Cristiani Negrão Gallois, Evaristo Gallois e Rita Dias







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