O Desenvolvimento cognitivo a partir de quatro estádios, segundo Piaget
No decorrer da história da Psicologia, diversos teóricos se destacaram no estudo do desenvolvimento cognitivo, dentre eles podemos destacar Jean Piaget que muito contribuiu na compreensão do desenvolvimento da aprendizagem. Nessa busca, o referido teórico estabelece os estágios de desenvolvimento cognitivo que se dividem em: sensório – motor, pré-operatório, operatório concreto e operatório formal.
Na visão de Piaget, o estagio sensório-motor, vai aproximadamente de zero a dois anos de idade, nos quais, a inteligência prática, é baseada nas sensações e nos movimentos, o mundo que existe para o bebê é apenas aquele que ele vê, ouve ou sente, é como se o mundo não fosse constituído por objetos, mas por uma ciclo de imagens, sem ligação entre si, em que as coisas deixam de existir quando deixam de ser percebidas. Entretanto, a partir dos oito meses, a criança adquire a noção de permanência do objeto, ou seja, sabe que existem objetos independentemente de estar vendo-os ou não. Progressivamente, a criança vai sendo capaz de agir intencionalmente, de modo cada vez mais coordenado, para obter o fim pretendido que pode ser um objeto, utilizando, para tal, não só a ação do próprio corpo, mas também outros objetos. No final deste estágio surge a capacidade de representação mental e de simbolização, a competência de representar mentalmente não só a permanência do objeto, mas também as relações que se estabelecem entre eles, a inteligência centrada na ação cede lugar ao pensamento pela representação mental. O pensamento passa a ser ação interiorizada.
Posterior ao estágio sensório - motor, Piaget apresenta o estágio pré-operatório, que normalmente acontece entre os dois e sete anos. Nesse período a criança vive a função simbólica, que é a capacidade de representação mental e simbolização, a criança apresenta também o egocentrismo intelectual, achando que o mundo foi criado para ela, não sendo capaz de perceber o ponto de vista do outro, acredita que os outros pensam e sentem da mesma forma que ela. Outra característica dessa fase é o animismo, no qual o egocentrismo estende-se aos objetos e outros seres vivos, aos quais a criança atribui intenções, pensamentos, emoções e comportamentos próprios do ser humano. O pensamento mágico, também é uma característica, na qual a realidade é aquilo que a criança sonha e deseja, e dá explicações com base na sua imaginação, sem ter em consideração questões de lógica, interessa-se essencialmente por resultados práticos, a sua percepção imediata é encarada como verdade absoluta, sem perceber que podem existir outros pontos de vista, além de privilegiar as suas percepções subjetivas, desprezando as relações objetivas. Não percebe as diferenças entre as mudanças reais e aparentes e, portanto, responde com base na aparência, acreditando que é o real.
Piaget apresenta ainda o estagio das operações concretas que está entre os sete, onze ou doze anos. Nesse período o pensamento lógico apresenta capacidades para realizar operações mentais, pois compreende que existem ações reversíveis, percebe que é possível transformar o estado de um objeto, sem que todo o objeto mude, e depois reverter esta transformação, voltando ao estado inicial, compreende a existência de conceitos, características que não variam em função das mudanças dos objetos, mas que existem para além deles e podem ser aplicados a muitas outras situações para além daquela associação que foi primeiramente apresentada.
já não se baseia na percepção imediata e começa a compreender a existência de características que se conservam, independentemente da sua aparência, adquirindo assim a noção de conservação da matéria sólida ou substância, mais tarde da líquida, depois do peso e, por fim, do volume; a existência de conceitos vai permitindo compreender a relação parte-todo, fazer classificações, que trata-se de agrupar objetos segundo determinada característica comum, abstraindo-se das suas diferenças, faz também seriações, ordenando objetos segundo uma característica que tem diferentes graus e percebe a conservação do número, que implica coordenar a classificação e a seriação.
Por fim, nos é apresentado o estágio das operações formais que ocorre a partir dos doze anos de idade no qual o sujeito consegue realizar não só operações concretas mas também operações formais, conseguindo se colocar mentalmente em diversas hipóteses. Nesse estágio do pensamento abstrato, o sujeito é capaz de se desprender do real e raciocinar sem se apoiar em fatos, ou seja, não precisa operacionalizar e movimentar toda a realidade para chegar a conclusões. Coloca hipóteses, formulando mentalmente todo o conjunto de explicações possíveis, percebe que existem múltiplas formas de perspectivar a realidade e que a sua percepção é apenas uma dentro de um conjunto de possibilidades, é capaz de pensar sobre o próprio pensamento e sobre os pensamentos das outras pessoas e, portanto, percebe que, face a uma mesma situação, diferentes pessoas têm diferentes pontos de vista.
Vale lembrar que a idade colocada por Piaget, serve como uma base, mas não é o único fator determinante na mudança de um estágio para outro.
Benilsa Marçal e Olinda Rocha
quarta-feira, 14 de julho de 2010
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